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29 de junho de 2015 Parabéns: 100 anos de ABC

O ABC é a mais antiga associação desportiva legalmente fundada no Rio Grande do Norte. No dia 29 de junho de 1915 na residência de Avelino Alves Freira, na avenida Rio Branco – 201 – Ribeira o clube era criado. O nome do clube surgiu como uma homenagem ao Tratado de Cordial de Inteligência Política entre Brasil, Chile e Argentina, também conhecido como Pacto ABC – negociado por Rio Branco e assinado por Lauro Müller em 1915, ano da fundação do Alvinegro. A primeira opção de uniforme é mantida até hoje, com camisas em listras verticais pretas e brancas, calções pretos e meiões pretos.

Alex RégisO maior conquistador de títulos estaduais do País. Um dos únicos a possuir um decacampeonato. Em 100 anos, o ABC se esmerou em atingir marcas históricas para as suas hostes
O local onde hoje  fica a Praça Pedro Velho (Praça Cívica) marcou o início da trajetória do clube. O primeiro jogo oficial aconteceu contra o Natal Foot Ball Club, o segundo contra o Atlântico e só iria encarar o futuro principal rival, América, em seu terceiro jogo.

Pioneiro, o ABC também foi o primeiro clube do Estado a realizar uma partida interestadual. Em 15 de novembro do ano seguinte à fundação, o time recebeu o Santa Cruz. A caravana recifense veio de Trem e desembarcou na estação da Ribeira, ficando hospedada no antigo Hotel Internacional,  cruzamento da Rua Chile com a Tavares de Lira.

Este amistoso está descrito inclusive na biografia do ex-presidente Café Filho que, jovem, estudando em Recife, foi o responsável pela organização do duelo.

Nesses primeiros anos de vida a luta para conseguir uma sede própria foi um dos principais objetivos. O clube passou pela casa 120 da rua Chile, pelo número 39 da rua doutor Barata ficando por vários anos provisoriamente instalado na rua senador Bonifácio número 10.

Segundo o jornalista e pesquisador Everaldo Lopes, em seu livro “Da bola de Pito ao Apito Final”, o primeiro presidente do Alvinegro foi João Emílio Freire. Depois dele seguiram: Luiz Potiguar Fernandes (reeleito), Enéas Reis, Cícero Aranha (reeleito), Álvaro Borges, Enéas Reis, José Tavares da Silva (reeleito), João Ferreira de Souza, Felizardo Moura, João Galvão de Medeiros, Edílson Fonseca, Gentil Ferreira de Souza, José Santos, Amaro Marinho, Ernani Silveira, Roberto Varela, Firmino Moura, Aluizio Bezerra, José Nílson de Sá, Severino Câmara, Edson Teixeira, Tupan Ferreira de Souza, Ruy Barbosa da Costa, José de Paiva Torres, Eudo Laranjeiras, José Wílson G. Neto, Leonardo Arruda, Judas Tadeu Gurgel e Rubens Guilherme Dantas.

Junto com os primeiros 25 anos de história vieram também os primeiros quatro títulos: 1921, 1923 e 1925.  Os 52 títulos estaduais, coloca o Alvinegro como o maior campeão do Estado e um dos maiores do Brasil. Outro recorde abecedista, é o deca campeonato conquistado entre as décadas de 30 e 40, recordista brasileiro em conquistas consecutivas.

O Maior título veio 95 anos
O maior título da história do clube foi conquistado em 2010. Pela primeira vez, uma equipe potiguar teve a oportunidade de levantar uma taça de nível nacional, com a conquista abecedista da série C do Brasileiro daquele ano. Aquela temporada foi especial para o clube, que conseguiu se reerguer depois de um rebaixamento de divisão em 2009.

“Quando cheguei, no segundo turno do Estadual, conseguimos dar uma cara nova ao time, até de uma forma muito rápida e conseguimos aquele título. Armamos uma base para a série C do Brasileiro. As coisas foram fluindo de uma forma tão natural, grande, com a equipe focada em voltar a série B, que era nosso primeiro objetivo e depois fomos buscando mais, que acabou sendo o título da série C, que não existia para o Rio Grande do Norte.  Tudo culminou para aquele título, todos nós estávamos querendo levar o ABC, novamente, para a série B. Uma força grande, que comissão, jogadores, funcionários, dirigentes e, principalmente a torcida, que compareceu, que nos ajudou naquela caminhada. Os jogadores fizeram sua parte, todos querendo a conquista”, relembra Leandro Campos, técnico campeão.

Naquele ano, a direção do clube conseguiu juntar no mesmo time, diversos estilos de jogo, com atletas experientes e outros jovens das categorias de base. Entraram para a história, o goleiro Wellington, os laterais Suéliton e Renatinho Potiguar, os zagueiros Thiago Garça e Leonardo, os volantes Ricardo Oliveira e Basílio, os meias Cascata, Jackson e Claudemir e os atacantes Éderson, João Paulo e Leandrão. Este último, chegou ao clube na segunda fase da série C, para ser o homem gol da equipe. E a identificação com a torcida foi praticamente instantânea, já que, até hoje, ele é lembrado pelos torcedores.

“Só tenho lembranças boas. Éramos um grupo que,  dentro de campo, se doava ao máximo. Tinham as discussões fora, o que é normal, mas quando entrava em campo era cada um se entregando ao máximo. Por isso ficou marcado e também conseguiu títulos importantes. A conquista da  série C foi de muita importância para o clube e para o Estado.  Fico feliz de ter este título e de ter feito parte daquele grupo”, afirma Leandrão.

Do time titular, apenas o goleiro Wellington e o atacante João Paulo eram das categorias de base do ABC. O defensor foi titular durante toda a campanha, enquanto o jogador de ataque acabou perdendo espaço no time com as chegadas de Jackson e Leandrão. Mesmo assim, foi importante para o grupo que, segundo ele, era como uma família.

“Lembro daquele grupo como uma família, pois éramos muito unidos dentro e fora de campo. Todos se respeitavam e tínhamos um só pensamento, que era a conquista  do título. Quem ficou do rebaixamento de 2009, sabia da obrigação de fazer diferente. O time começou muito bem o ano de 2010 sendo campeão estadual e depois embalamos na Copa do Nordeste e série C, então acreditávamos sim, que podíamos ir longe. Mas, o nosso primeiro objetivo era buscar o acesso e depois que conseguimos, nos concentramos para buscar o título. Pra mim foi um ano ótimo.  Conseguimos ser campeões estadual, acesso para a série B e campeão brasileiro. Por muito pouco não conseguimos o título da Copa do Nordeste. Mesmo assim, foi muito importante para mim, que sou da casa, ter participado do maior título do clube e do nosso Estado”, finalizou.

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