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26 de maio de 2020 Pesquisa revela desejo de retorno às atividades


Trabalho liderado pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF) em parceria com o Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo (SIAFMSP) com homens e mulheres de todas as divisões adultas aponta desejo pela volta do futebol
A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF) tem participado de importantes conversas com os mais diversos atores do futebol nacional sobre as condições de uma possível volta dos campeonatos. E após o Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo (SIAFMSP) ter divulgado em 11.05 uma pesquisa com os atletas do Estado, indicando o desejo pela volta das competições, a FENAPAF decidiu realizar um novo trabalho, desta vez com âmbito nacional. Em parceria com o SIAFMSP, e agora para todo o Brasil, a nova pesquisa abrange homens e mulheres de todas as divisões nacionais assim como regionais de todo o país. Aos atletas foi garantido o anonimato, plenamente respeitado.
Em trabalho conjunto com a consultoria Esporte Executivo, especializada em gestão esportiva, foram ouvidos 734 atletas profissionais de futebol de todos os estados do país entre os dias 16 e 21 de maio de 2020, que puderam indicar suas preferências e motivações. A pesquisa possui quatro blocos de análise: Masculino (Bloco 01: Série A, Bloco 02: Série B + C, Bloco 03: Série D + Regionais) e Feminino (Bloco 04). O índice de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 4%.
Para Felipe Augusto Leite, presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF), ouvir o que pensam os atletas é parte fundamental para a continuidade das negociações por parte da FENAPAF. “Eu, como indivíduo, tenho uma opinião. Mas minha função como presidente da entidade é representar, democraticamente, a opinião da maioria dos representados. E para fazermos um bom trabalho, preciso ouvir também a motivação dessas opiniões” explica o presidente. “O desejo de volta apresentado na pesquisa demonstra consonância com o que os atletas têm trazido informalmente para a FENAPAF sobre voltar com segurança e por necessidade de trabalhar”, continua. “E isso aumenta, como mostrou a pesquisa, quando falamos com atletas de clubes menores, que disputam apenas os regionais e não tem calendário cheio por todo o ano”, finaliza.
Responsável pela pesquisa, Vinicius Lordello, CEO da Esporte Executivo, analisa os resultados encontrados: “A pesquisa indica que o desejo pela volta é unânime para toda a categoria de atletas profissionais de futebol do país, homens e mulheres. O que motiva cada perfil, no entanto, não é unanime. E isso é natural. Se há uma grande discussão na sociedade sobre estar em casa versus a necessidade de trabalho para amparo familiar, isso não escapa aos jogadores de futebol, principalmente quando excluímos a Séria A masculina, com maiores salários. O fato de o Governo Federal ter excluído a categoria do auxílio emergencial de 600 reais mensais também pode ser um ingrediente que aumenta a pressão pelo desejo de retorno”. “Um importante ponto da pesquisa é a confiança depositada pelos que desejam a volta dos campeonatos de que os clubes terão e oferecerão estrutura para o retorno seguro. Com os clubes passando por um delicado momento financeiro, se o retorno parecer inseguro aos atletas, a opinião pode mudar”, completa Vinicius”. A seguir, os resultados:
Questionados se eram a favor ou contra o retorno das competições, 68% se mostrou a favor e, portanto, 32% manifestou contrariedade.


Entre aqueles que desejavam o retorno, foi pedido que indicassem suas principais motivações, podendo escolher mais de uma justificativa. A mais citada (36%) indica que os atletas entendem haver uma estrutura para prevenção à contaminação. Ainda, e pela margem de erro da pesquisa tecnicamente empada em primeiro lugar, 33% dos que votaram a favor aponta que até preferiria não voltar, mas precisa financeiramente desse retorno. Para 24%, jogador de futebol tem carreira curta e existe a necessidade de jogar por ela. Uma minoria, de apenas 40 atletas entre todos os ouvidos pela pesquisa (8% entre os favoráveis ao retorno), aponta que a Covid-19 não é tão preocupante como a sociedade e a mídia tem apresentado.

Entre os favoráveis, uma importante observação: A motivação mais votada para o Bloco 01 (Série A Masculino) e Bloco 02 (Feminino) é “Sinto que teremos uma estrutura para prevenção à contaminação”. Já para os Blocos 3 (Série B + C Masculino) e 04 (Série D e Regionais Masculino) a motivação mais votada é “Preferia não voltar, mas preciso financeiramente desse retorno”. É a única dissonância entre as maiores votações, já que entre os contrários, como veremos, a mais votada é idêntica para os quatro Blocos.
Entre aqueles 32% que se manifestaram contra o retorno – e novamente era possível apontar mais de uma justificativa – 49% (ou, pela margem, metade dos votantes contrários ao retorno) não sente que haja segurança para a saúde dos atletas. Para outros 36%, com doentes e mortos pela pandemia em alta no país, não é hora de se pensar na prática do futebol. Para 11%, uma ferida do esporte nacional está aberta: seus salários estão atrasados e esta vulnerabilidade é vista como um desrespeito na proposta de, nessas condições, ter que lidar diretamente com o Coronavírus. Por fim, para menos de 5% entre os contrários, embora haja seu desejo particular pela volta, sua família tem sido determinante e pressiona para que não volte em meio à pandemia.
A pesquisa ainda questionou aos jogadores se sentia que seus respectivos clubes ofereceriam a estrutura necessária para um eventual retorno seguro para a saúde dos atletas. Para 70% deles existe a confiança no clube nesse aspecto. Os outros 30% não acreditam que seus clubes serão capazes de oferecer essa estrutura segura. Os números se aproximam dos dizeres a favor e contra o retorno. É possível entender que os atletas que são a favor do retorno confiam em seus clubes para que isso aconteça.
Perguntados sobre os ajustes salariais promovidos por seus clubes diante do Coronavírus, 74% indicou uma negociação transparente e respeitosa com os diretores responsáveis e 26% aponta para uma conduta mentirosa ou de imposição. Do total, e investigando mais a pregunta ampla, 62% disse que os dirigentes foram transparentes nas negociações e chegaram a um consenso com os atletas, sendo que 12% indica uma negociação transparente, sem que se tenha chegado a um acordo. Entre o total, 14% aponta que os dirigentes impuseram cortes e sequer abriram diálogo com o grupo de atletas. Outros 12% indica ainda que os gestores mentiram para os atletas e não cumpriram o que foi combinado.
Isolando cada um dos quatro blocos de análise – Masculino (Bloco 01: Série A, Bloco 02 Série B + C, Bloco 03: Série D + Regionais) e Feminino (Bloco 04) – o resultado macro tem alterações além da margem de erro e, portanto, reais.
Considerado os votos apenas de jogadores da Série A Masculino, 55% se mostrou a favor e 45% manifestou contrariedade.

Fonte:fenapaf.org.br

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